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Votos sinceros. Para todos.

por alho_politicamente_incorreto, em 23.12.13

 

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Medo íntimo


Por José Manuel Alho

Dei por mim a sucumbir à evidência que muitos pressentem e poucos aceitam reconhecer: vivemos efetivamente subjugados pelo medo. O medo, fruto da apreensão de um mal como ameaça iminente e à qual não se vê como resistir, pode ter várias causas e muitos rostos. Mas, enquanto tal, é paralisante. Daí que as pessoas vivam numa angústia dilacerante, uma espécie de pânico que acanha, diminui e desvirtua a livre expressão de opiniões e vontades.

Na rua, no local de trabalho ou até em tertúlias tão informais quanto imprevistas, vislumbra-se, sem dificuldade, o condicionamento a que a maioria se imporá. Tudo parece medido e pesado com reverencial temor. Um medo íntimo que esgaça a mais ténue veleidade de se ser autêntico, genuinamente solto de amarras castradoras. O medo de perder o trabalho, o medo de cair na miséria, o medo de renunciar aos projetos mais queridos de vida ou, simplesmente, o medo de se erguer para dizer o que pensa empobreceu a atitude individual e coletiva de um povo recorrentemente martirizado pela incompetência da sua classe governante.

É curioso que já Maquiavel, referência incontornável na matéria, aconselhava o Príncipe a instigar o medo nos seus súbditos porque este seria mais potente e duradouro do que o amor. Por seu turno, Napoleão Bonaparte também ensaiara reflexão sobre tão ousada opção de governo ao garantir que “duas alavancas movem o homem: o interesse e o medo.” De facto, quem conhecer os interesses e os medos de um homem, saberá o principal de cada um.

Confinando esta abordagem à situação que Portugal presentemente enfrenta, não há como dissociar o medo desta crise que a (quase) todos subtraiu esperança. Depois da governação para além do memorando da troika, afigura-se incontroverso que o Governo passou rebuscadamente a governar pelo medo. Primeiro, assusta-se as pessoas com resoluções que as podem sentenciar a uma vida de penas e tormentas. Depois, diz-se que afinal não era nada. Por fim, surgem medidas alternativas, tão graves ou piores do que as que foram chumbadas.


Em resumo: o Governo afoga-nos. Depois, salva-nos num ato de singular altruísmo. Mas, lá no fundo, o afogamento e a salvação resumem-se cinicamente ao mesmo.

Bem recentemente, o Conselho da Europa alertou que as medidas de austeridade estão a enfraquecer os direitos humanos porque os governos "esquecem" as suas obrigações nesta área e os credores não contemplam os direitos humanos nos programas de assistência. Complementarmente, o Papa Francisco enunciou na sua exortação: “É preciso repetir que os mais favorecidos devem renunciar a alguns dos seus direitos, para poderem colocar, com mais liberalidade, os seus bens ao serviço dos outros”.

Desesperança e medo. Eis a combinação explosiva que poderá levar um povo enganado e negligenciado a atos que contrariam a sua vocação histórica. Com efeito, há perceções que ferem de morte todo o tipo de legitimidade. Mesmo a formal. Por exemplo, um político sério cumpre o mandato de acordo com as promessas que fez aos seus eleitores. Um aldrabão faz o contrário.

José Manuel Alho

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» Nem Judas traiu assim...» (in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012)

por alho_politicamente_incorreto, em 16.12.13

»No obedecer de um falso diligenciar humano,

apenas por ter a mão no leme... torna-se castrador

aviltante do direito simples do viver,

de humanos injustamente condenados à cegueira,

à surdez e à mudez de um tentar ser digno.

No obedecer de um falso diligenciar humano, ordena-se

arrastar pelo esbulho fácil, de sorrisos cínicos

a validade de uma esperança vida,

a serenidade de uma liberdade coerente...

até ao descanso justo. - Nem Judas traiu assim...»

(in MOMENTOS - José Luís Outono - 2012)

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Opinião.

por alho_politicamente_incorreto, em 11.12.13

Perdoai-lhes, Senhor.

Eles sabem o que fazem.

Por José Manuel Alho

 

O país está a desconjuntar-se. As assimetrias acentuam-se. A petulância das chamadas elites nacionais emproa-se com requintada perversidade. E também eu me indigno quando, por mero acaso, me confronto com as palavras de Passos Coelho proferidas em 6 de novembro de 2010: «Não podemos permitir que aqueles que conduzem aos maus resultados andem sempre de espinha direita como se nada fosse com eles. Não podemos permitir que todos aqueles que estão nas empresas privadas ou que estão no Estado fixem objetivos e não os cumpram. Sempre que se falham os objetivos, sempre que a execução do Orçamento derrapa, sempre que arranjamos buracos financeiros onde devíamos estar a criar excedentes de poupança, aquilo que se passa é que há mais pessoas que vão para o desemprego e a economia afunda-se. Quem impõe tantos sacrifícios às pessoas e não cumpre, merece ou não merece ser responsabilizado civil e criminalmente pelos seus atos?»

Volvidos pouco mais de dois anos, o Governo de Passos & Portas é o recordista dos orçamentos retificativos. Na verdade, os consecutivos orçamentos retificativos impuseram-se uma vez que os pressupostos em que assentaram os orçamentos iniciais foram (e são!) uma trapaça. Uma patranha para legitimar os “milagres económicos” recorrentemente impingidos.

Passos Coelho, o mosqueteiro que abateu o governo anterior devido à austeridade excessiva do PEC IV, já tem obra para mostrar: um país que mais se assemelha à ruína de um cenário de guerra com 250 000 novos emigrantes, muitos deles jovens altamente qualificados, bem como os cerca de 300 000 desempregados criados pelo “ajustamento”. E tudo isso para continuarmos a ostentar um défice que não desce, um PIB com uma queda acumulada de 8,2%, uma dívida pública que disparou para os 127%.

"Este poder é forte com os fracos e fraco com os fortes. Não se entendem os cortes nos salários e pensões quando à fúria austeritária escapam cincos “peixes graúdos”: as Parcerias Público-Privadas (PPP), os swaps, o BPN, o défice tarifário e os mercados regulados. Se dúvidas houvesse, cumpre reconhecer o até há pouco inconcebível: o poder político é hoje controlado pelo poder económico."

Bem recentemente, o PM ousou anunciar: »Hoje, Portugal e os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora e honrada (…)». Declaração cínica, que avilta aqueles que verdadeiramente têm suportado tão impiedoso calvário. Com efeito, os portugueses são vistos como gente trabalhadora, cumpridora, honrada e… POBRE. E ao atual Governo o devem! Ao radar analítico do antigo jota parece escapar que um mar de gente, cada vez maior, continua a empobrecer, a “morrer” lentamente e, pasme-se, uns quantos a “mamar” forte e feio e a engrossar a equipa dos multimilionários.

Este poder é forte com os fracos e fraco com os fortes. Não se entendem os cortes nos salários e pensões quando à fúria austeritária escapam cincos “peixes graúdos”: as Parcerias Público-Privadas (PPP), os swaps, o BPN, o défice tarifário e os mercados regulados. Se dúvidas houvesse, cumpre reconhecer o até há pouco inconcebível: o poder político é hoje controlado pelo poder económico.

Deixados à mercê desta gente subserviente, sem ideias, sem rumo e que mente, os portugueses debatem-se tragicamente com a falência dos principais partidos, fechados sobre si mesmos, acéfalos e negligentemente passivos. Para memória futura, ficará o registo de termos vivido uma época sem mérito que figurará, para vergonha coletiva, na nossa História com nove séculos!

Aqui chegados, lembremos a sabedoria premonitória de Sophia de Mello Breyner Andresen ("As pessoas sensíveis", in Livro Sexto): »Ganharás o pão com o suor do teu rosto" /Assim nos foi imposto /E não: / "Com o suor dos outros ganharás o pão" / Ó vendilhões do templo/ Ó construtores / Das grandes estátuas balofas e pesadas / Ó cheios de devoção e de proveito / Perdoai-lhes Senhor / Porque eles sabem o que fazem.»

José Manuel Alho

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Nelson Rolihlahla Mandela, 1918 – 2013

por alho_politicamente_incorreto, em 06.12.13

 

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